Evolução de prefeituras conquistadas pelos Partidos


Autor: admin
Categoria: Eleições
Criado em: 2024-11-01 21:42:45

Nesta série de artigos que esta sendo publicada aqui no IndexPS, começamos a analisar essas eleições a partir dos legislativos municipais, com ênfase no Número Efetivo de Partidos, que nos dá uma pista sobre a saúde do sistema partidário brasileiro. Em termos de Executivos, também existem métricas que podem nos ajudar a compreender o funcionamento do sistema político. No entanto, vamos inverter a ordem e iniciar a análise dos Executivos municipais observando a evolução da quantidade de prefeituras conquistadas pelos partidos.


Entre vitoriosos e perdedores, os analistas e comentaristas de política têm se preocupado em avaliar quem ganhou ou perdeu mais entre as eleições passadas e as deste ano. A maioria dessas análises concentra-se em personificar as vitórias e derrotas dos líderes partidários. Embora esses líderes sejam importantes, a ideia de que há uma transferência de voto automática parece demorar a se concretizar e, quando isso ocorre, não consegue revelar totalmente o panorama. Isso porque as análises ainda se prendem a explicações supervalorizadas do peso e da importância dos líderes políticos sobre o resultado eleitoral.

 

Dito isto, podemos observar no gráfico abaixo que, em termos de Executivos, as máquinas partidárias, de forma geral, passaram por um processo de diminuição. Esse fenômeno de pulverização de partidos é semelhante ao que ocorre no Legislativo, embora em uma velocidade menos intensa. Considerando que nos subsistemas partidários há a tendência de cada líder local querer ter um partido para chamar de seu, é inevitável que fenômenos observados no Legislativo, com sua disputa proporcional, também aconteçam, guardadas as devidas proporções, em disputas majoritárias.


 

Nesse cenário de sete eleições municipais, observamos a resiliência do MDB, que só perdeu a posição de maior conquistador de prefeituras nas eleições de 2024 para o PSD, partido criado justamente para ocupar esse lugar de centro, do qual o MDB se afastou em diferentes momentos. O PSD já nasceu entre os maiores e, em apenas quatro eleições, conseguiu superar o MDB.

 

Outro partido de centro que perdeu espaço foi o PSDB. Diferentemente do MDB, sua trajetória está longe de uma história de resiliência, já que vem perdendo espaço em todas as esferas. No entanto, foi no Executivo municipal que o partido registrou seu pior desempenho da série histórica, atingindo apenas 5%.

E o PT? Um observador menos atento, ao olhar para o principal opositor do PSDB, poderia dizer que o partido está seguindo o mesmo caminho. No entanto, isso é uma mera ilusão de ótica para quem observa apenas um ou dois capítulos dessa história. O PT teve uma trajetória de crescimento durante seus primeiros governos a nível federal, mas entrou em declínio por motivos conhecidos pelo grande público, como uma série de escândalos de corrupção e o processo de impeachment. Não podemos afirmar que o partido se refez ou se reconstruiu completamente, mas mostrou resiliência. Nessas eleições, ele retornou ao patamar alcançado logo após o impeachment de Dilma. Como o partido nunca foi forte no nível subnacional, esse resultado pode ser visto de forma positiva.

 

É importante destacar que, mesmo nos anos em que o PT teve seu melhor desempenho, os aliados alcançaram resultados ainda melhores. Isso mostra que, historicamente, quando o PT está na presidência, costuma abdicar de candidaturas locais para favorecer seus aliados. Um dos partidos que mais se beneficia da presença do PT no poder é o PSB. Em 2013, junto com alguns amigos, publicamos um artigo que trouxe evidências desse sucesso do PSB. À época, chamamos o artigo de 'Dormindo com o Inimigo', pois, enquanto o PSB integrava o governo federal, fortalecia-se no nível subnacional e já tinha pretensões presidenciais.

 

O fato é que, em termos de sistema, sobrevivemos a um flerte com o autoritarismo. Poderíamos estar vivendo uma outra realidade ou, até mesmo, não estar discutindo isso agora. No entanto, estamos aqui para observar um dos partidos que brincou, e talvez ainda brinque, com fogo: o PL. Esse partido está em pleno crescimento, favorecido por regras que beneficiam as maiores bancadas, e alcançou seu melhor desempenho, conquistando 9% das prefeituras.

Outro ponto a ressaltar as supostas vitórias e derrotas entre espectros ideológicos é a falsa querela. No Brasil, o centro e a centro-direita sempre foram dominantes, com raras exceções regionais que podem ser contadas nos dedos de uma mão.

 

Partidos que elegeram ao menos um(a) prefeito(a):

 

2000 - PMDB, PT, PSDB, PPB, PFL, PL, PDT, PSB, PSD, PPS, PRTB, PTB, PSL, PT do B, PSC, PST, PV, PMN, PHS, PAN, PRN, PSDC, PTN, PRP, PC do B;

 

2004 - PSDC, PP, PT, PL, PMDB, PSB, PSDB, PTB, PPS, PFL, PDT, PMN, PRONA, PRTB, PV, PSL, PT do B, PTN, PRP, PSC, PHS, PTC, PC do B, PAN;

 

2008 - PR, PT, PP, PMDB, PSB, PSDB, PC do B, PTB, PT do B, PMN, PSC, PDT, PRB, DEM, PPS, PHS, PSDC, PV, PTC, PRP, PSL, PRTB, PTN;

 

2012 - PT, DEM, PMDB, PSDB, PR, PC do B, PSB, PSD, PT do B, PTB, PP, PRP, PRB, PPS, PV, PSC, PDT, PPL, PMN, PRTB, PSL, PSOL, PTN, PTC, PHS, PSDC;

 

2016 - PMDB, PSB, PT, PC do B, PSD, PSDB, PP, PROS, PRP, PRB, PDT, PR, PTB, DEM, PMN, PT do B, Solidariedade, REDE, PATRIOTA, PPL, PSC, PSDC, PSL, PHS, PTN, PPS, PTC, PV, PMB, PRTB, PSOL;

 

2020 - PSD, MDB, PDT, PT, PP, PSDB, PROS, DEM, PTB, PL, Republicanos, PSB, PODEMOS, PSC, Cidadania, AVANTE, PSL, PRTB, PC do B, Solidariedade, REDE, PSOL, PMN, PATRIOTA, PV, PTC, DC, PMB, NOVO;

 

2024 - PP, PDT, PSD, Republicanos, UNIÃO, PL, MDB, PSB, PSDB, PT, PODEMOS, AVANTE, PRD, PMB, PC do B, Solidariedade, PV, Cidadania, NOVO, MOBILIZA, REDE, DC, AGIR, PRTB, UNIÃO, PRD.
 

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